Geometria alar como estimador de variabilidade morfogenética de Aedes albopictus (Culicidae) do Estado de São Paulo


Publication type
Academic monograph
Language
Portuguese
metadata.dc.description.abstractpt
Aedes albopictus é um importante vetor de agentes etiológicos de doenças como dengue, febre amarela e chikungunya responsáveis por epidemias e surtos. A alta capacidade de colonização e adaptação a diferentes ambientes desta espécie a torna relevante para estudos epidemiológicos. A alta variabilidade genética populacional é uma característica em mosquitos vetores, pois resulta em rápida microevolução, adaptabilidade ao ambiente humano, resistência a inseticidas e em outros fenômenos que dificultam sobremaneira o controle desses vetores. Como a variabilidade genética tem de ser investigada por abordagens moleculares, as quais são caras e demoradas, propusemos recentemente uma forma alternativa de estimar essa variabilidade: o índice "MD" (morphological diversity). Este índice utiliza geometria para descrever quantitativamente o grau de diversidade morfológica de amostras populacionais. O MD quando calculado a partir de estruturas morfológicas cujo fenótipo é herdável, pode guardar parcial correlação com a variabilidade genética. Diante dessa presumível correlação, é razoável utilizar o MD como um prático substituto preliminar dos índices tradicionais de variabilidade genética (riqueza alélica, diversidade genotípica, etc.). Neste trabalho nos propusemos a comparar quanto à diversidade morfológica, cinco populações de Aedes albopictus provenientes de quatro municípios do Estado de São Paulo (Campinas, Cotia, Santos e São Paulo). Hipotetizamos que (I) as populações teriam variabilidades morfológicas diferentes devido às distintas histórias microevolutivas. Em outra hipótese (II), o maior MD seria encontrado na amostra de Santos, localidade de provável entrada de indivíduos Ae. albopictus exóticos provenientes de seus locais nativos da Ásia. O MD foi obtido a partir de dados morfométricos das asas dos indivíduos, estrutura de forma herdável e de herança poligênica. As asas foram submetidas a métodos-padrão de morfometria geométrica, incluindo-se a sobreposição de Procrustes e a análise de formas de 18 pontos de referência. Os componentes principais das variáveis de forma de todos os indivíduos amostrados foram plotados em gráficos bidimensionais denominados "morfoespaço", nos quais podemos observar o grau de dispersão relativa entre os indivíduos, permitindo o cálculo do tamanho do centroide do conjunto de indivíduos. Em teoria, quanto maior o centroide, mais dispersos são os pontos e mais diversificada é a população morfologicamente. O MD revelou que a população de Cotia foi a mais diversa, contrariando a hipótese II. Entretanto, a hipótese I foi confirmada, já que o índice MD apontou para distintas magnitudes de diferenciação morfológica entre as populações, validando a morfometria geométrica como método capaz de distinguir populações geográficas.
Link to cite this reference
https://repositorio.butantan.gov.br/handle/butantan/3792
Issue Date
2019

Show full item record

The access to the publications deposited in this repository respects the licenses from journals and publishers.