Caracterização química e avaliação da atividade antiviral da fase aquosa do extrato da própolis de Scaptotrigona postica

Estudos acerca de infecções virais são de alto interesse na área de saúde pública e animal, principalmente quando comparadas a infecções de origem bacteriana, para as quais já se tem uma série de medicamentos eficazes. Por esse motivo, a identificação de agentes com ação antiviral é um importante foco para a pesquisa científica. Estudos sobre a atividade antiviral de própolis são realizados há muitos anos, e já se tem descrição de extratos de própolis com atividade contra, poliovírus, influenza, HIV, vírus da hepatite entre outros. Dentre as abelhas existentes no Brasil, destacam-se aquelas pertencentes à família Apidae e subfamília Meliponinae, mais conhecidas como abelhas indígenas sem ferrão, porém, as pesquisas com própolis têm se concentrado principalmente nas abelhas da espécie Apis mellifera, e poucos estudos tratam da própolis de abelhas indígenas sem ferrão. A própolis de Scaptotrigona postica tem sido utilizada popularmente na região de Barra do Corda, no estado do Maranhão, na forma de pomada, no tratamento de tumores e de cicatrização de feridas. Contudo, são escassos os estudos que comprovem suas atividades biológicas e a sua composição química. Em vista da observação etnofarmacológica deste extrato, o objetivo deste trabalho foi o de avaliar o potencial antiviral do extrato da própolis de Scaptotrigona postica e de caracteriza-lo quimicamente. Para tanto, incialmente a citotoxicidade foi avaliada pela técnica de MTT e a genotoxicidade pelo ensaio cometa. Uma vez estabelecidas as concentrações a serem utilizadas nos ensaios de atividade antiviral, foram realizados experimentos de quantificação de RNAm onde os extratos de própolis foram testados em 3 diferentes condições, 3 horas antes da infecção, 1 hora depois da infecção, e um preparo chamado virucida, em que o vírus é incubado com o própolis 1 hora antes da infecção. Paralelamente à estes experimentos foram realizados experimentos de microscopia eletrônica. Para a caracterização química foram utilizadas as técnicas de infravermelho, e cromatografia líquida acoplada a espectrometria de massas. As análises do RNAm viral dos vírus do herpes e da rubéola, demonstraram que o extrato de própolis tem atividade sobre os vírus em todas as condições testadas, com redução de 98% da carga viral utilizando baixas concentrações do extrato (1 ug/mL) nos dois vírus testados. Estes resultados corroboraram com as imagens obtidas na microscopia eletrônica, onde cultivos celulares que foram infectados com vírus que passaram por um processo de incubação prévia com própolis, não apresentaram nenhuma partícula ou complexo de replicação viral nas imagens analisadas. A caracterização química revelou a presença de moléculas como a apigenina, luteolina, crisina, catequina e o ácido dicafeoilquínico. Todas essas substâncias já possuem atividade antiviral descrita para uma grande variedade de vírus, e atuam em pontos distintos da replicação viral. Em suma, se conclui que o extrato possui atividade antiviral contra o vírus do herpes e da rubéola por mecanismos distintos ainda não bem elucidados, devido a variedade de compostos presentes no extrato com atividade antiviral previamente descritas.
Keywords
Bioprospecção;  Antiviral;  Própolis;  Espectormetria de Massas;  Produtos Naturais;  Bioprospection;  Antiviral;  Propolis;  Mass spectrometry;  Natural Products

Other Titles
Chemical characterization and antivirial evaluation of the aqueous phase of the Scaptotrigona postica própois extract,
metadata.dc.contributor
Document type
Thesis
Advisor
Mendonça, Ronaldo Zucatelli
Level
Mestrado
Institution
Instituto Butantan
Place
São Paulo
Program
Programa de Pós-Graduação em Ciências – Toxinologia (PPGTOX)
Submission Date
2014
Metrics
Rights
Open Access
URI

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