Atividades biológicas do veneno de serpentes Bothrops atrox capturadas na Floresta Nacional do Tapajós, Oeste do Pará

A serpente Bothrops atrox (Ba) é responsável pela maioria dos acidentes ofídicos na região amazônica brasileira e seu veneno induz uma variedade de efeitos locais e sistêmicos. No entanto, este veneno não está incluído no pool de imunização utilizado para a produção do antiveneno botrópico. Sabe-se também que a composição e as atividades biológicas dos venenos de uma mesma espécie de serpente podem apresentar variações ontogenética, sexual ou geográfica. Neste trabalho caracterizamos o perfil eletroforético e as atividades coagulante, fosfolipásica, fibrino(geno)lítica, agregante plaquetária, desfibrinogenante, edematogênica e hemorrágica do veneno de serpentes Ba. Avaliamos ainda a migração celular induzida por este veneno e verificamos a capacidade neutralizante do antiveneno botrópico sobre as atividades coagulante e desfibrinogenante. Para tanto, utilizamos o veneno bruto liofilizado de serpentes Ba (n=6), adultas, machos (3) e fêmeas (3) capturadas na Floresta Nacional do Tapajós (FLONA), região de Santarém (Belterra), Pará. O veneno de B. jararaca (Bj) adulta do Instituto Butantan foi utilizado para comparar os resultados obtidos nos ensaios in vitro. Os venenos de Ba e Bj apresentaram diferenças no número e intensidade das bandas proteicas em condições redutoras e não redutoras. Os valores da dose mínima coagulante dos venenos de Ba e Bj, respectivamente, sobre o plasma (10,87 ± 0,42 e 35,89 ± 0,22 µg/mL) e fibrinogênio bovino (17,68 ± 1,67 e 68,25 ± 0,64 µg/mL) indicam que o veneno de Ba é mais coagulante. Em relação à ativação dos fatores procoagulantes pelo veneno de Ba, verificamos atividade mais elevada sobre o fator II (636,71 ± 25,76 µmol p-nitroanilina/min/mg de veneno) em comparação à do fator X (182,15 ± 4,87 µmol p-nitroanilina/min/mg de veneno). Os venenos de Ba e Bj foram capazes de hidrolisar fosfolipídios e de degradar fibrina diretamente e de forma dosedependente, entretanto com intensidades diferentes. Ambos os venenos induziram uma rápida degradação da cadeia Aα do fibrinogênio humano e nenhuma degradação da cadeia γ; porém o veneno de Bj hidrolisou a cadeia Bβ mais lentamente que o de Ba. Ao contrário do que verificamos com o veneno de Bj, o veneno de Ba não induziu agregação plaquetária. Observamos ainda que o veneno de Ba apresentou atividades desfibrinogenante, edematogênica e hemorrágica, sendo capaz de induzir migração celular. Interessantemente, o antiveneno botrópico neutralizou as atividades coagulante e desfibrinogenante do veneno de Ba. Nossos dados indicam variabilidade entre as atividades biológicas dos venenos de Ba da FLONA e de Bj do Instituto Butantan, assim como com as de Ba de outras origens geográficas. Essa variabilidade pode repercutir na gravidade das manifestações clínicas observadas nas vítimas de acidentes ofídicos e na necessidade ou não de antivenenos mais efetivos.
Keywords
Bothrops atrox;  variabilidade em venenos;  antiveneno botrópico;  hemostasia;  inflamação;  variability in venoms;  Bothrops antivenom;  hemostasis;  inflammation

Other Titles
Biological activities of Bothrops atrox snake venom captured at Floresta Nacional do Tapajós, Western Pará
metadata.dc.contributor
metadata.dc.description.sponsorship
Document type
Master's thesis
Advisor
Sano-Martins, Ida Sigueko
Level
Mestrado
Institution
Instituto Butantan
Place
São Paulo
Program
Programa de Pós-Graduação em Ciências – Toxinologia (PPGTox)
Submission Date
2014
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