Serpente como presa de serpentes: revisão do hábito ofiófago

Translated title
Snake as prey of snakes: review of the ophiophage habit

Abstract
Snakes are widely distributed throughout the planet, and show great diversity of habits, diet, and morphology. Diet is considered a central factor that influenced the evolution of snakes, since they have adaptations to locate, subjugate and ingest a wide variety of prey. In addition, the type of prey consumed may influence the distribution and abundance of snakes, as well as their daily and seasonal patterns of activity and habitat use. Concerning diet, snakes may be classified as generalists or specialists, preying on several kinds of items, ranging from eggs to large vertebrates. Ophiophagy is widespread and relatively well documented in this group. Most ophiophagous snakes start ingesting the prey head- first, which reduces the resistance offered by the prey, and, consequently, the ingestion time. However, it is noteworthy that there are records of ophiophagous snakes which ingest prey tail-first, as those of the genus Erythrolamprus. Our objective was to review the ophiophagous habit throughout snake families, seeking for phylogenetic and/or ecological pattern. We employed meta-analysis, reviewing scientific articles, databases (e.g. Scopus, Web of Science), academic Google, books, and information of collaborator researchers. We use the following keywords as search engines “diet, dietery, feed, ophiophagy, feeding, ophiophagous”. The ophiophagous habit is widespread in the Alethinophidia, occurring in fourteen out of the twenty-eigh currently recognized families. Among these, the family Elapidae presents the highest index of ophiophagy, corresponding to 35% of the predation events returned in the research. Accordingly, earlier studies corroborated the idea that the common ancestor of the elapids had lizards and snakes as their diet. Such high incidence of ophiophagy in this group is attributed mainly to the morphology of the head. Among the most consumed species, were Erythrolamprus and Atractus, both known for not showing aggressive behavior and for not presenting public health problems. The snakes of these genera have terrestrial and fossorial habits, respectively, and therefore, this high predation in the genus may be associated with the fact that about 78% of the snakes are terrestrial and 13% fossorial. Regarding daily activity, 51% of ophiophagous snakes are nocturnal and 36% are diurnal, showing that these habits influence the type of food consumed, as certain prey may be active only one hour of the day. Once again, we notice a similarity between ophiophagous snakes and Atractus and Erytrolamprus. Our results show how, even a relatively known habit in snakes, is still undersampled. In addition, they indicate important correlations between feeding habits, morphology and use of the environment by these animals.
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As serpentes constituem um grupo de vertebrados de grande sucesso, com grande diversidade de hábitos, dieta e morfologia. A dieta é considerada um fator central que influenciou na evolução das serpentes, uma vez que possuem adaptações para localizar, subjugar e ingerir uma grande variedade de presas. Além disso, o tipo de presa consumida pode influenciar a distribuição e abundância das serpentes e também os padrões diários de atividade e uso de habitat. Por outro lado, a ofiofagia é generalizada e relativamente bem documentada neste grupo. Nas serpentes ofiófagas, a maioria inicia a ingestão da presa pela cabeça, o que lhes confere uma redução da resistência oferecida pela presa e no tempo total da sua alimentação. Entretanto, há registros da ingestão de serpentes que, ao contrário do esperado, ingerem sua presa inicialmente pela cauda, como é o caso daquelas do gênero Erythrolamprus, apresentando uma eficácia na inoculação do veneno em sua presa, durante as tentativas de fuga, levando a estafa. O objetivo deste trabalho foi revisar o hábito ofiófago ao longo das famílias de serpentes, a fim de verificar se existe um padrão filogenético e/ou ecológico. Para isso, foi aplicada uma meta análise, revisando artigos científicos, bases de dados (e.g. Scopus, Web of Science), google acadêmico, livros, além da consulta com especialistas da área, em seu acervo pessoal. Utilizamos as seguintes palavras-chave como buscadoras “diet, dietery, feed, ophiophagy, feeding, ophiophagous” O hábito ofiófago está presente a partir das Alethinophidia, contemplando catorze famílias dentre as vinte e oito atualmente reconhecidas. Dentro destas, a família Elapidae apresenta o maior índice de ofiofagia, correspondendo a 35% dos eventos de predação retornados na pesquisa. Dentre as espécies mais consumidas, estão os gêneros Erythrolamprus e Atractus, ambos conhecidos por não apresentarem comportamento agressivo e de importância em saúde pública. As serpentes desses gêneros apresentam hábito terrestre e fossorial, respectivamente e, portanto, essa alta predação nos gêneros pode estar associada ao fato de cerca de 78% das serpentes serem terrestres e 13% fossoriais. Em relação a atividade diária, 51% das serpentes ofiófagas são noturnas e 36% são diurnas, mostrando que esses hábitos influenciam o tipo de alimento consumido, pois certas presas podem estar ativas apenas uma hora do dia. Nossos resultados evidenciam como, mesmo um hábito relativamente conhecido nas serpentes, ainda é subamostrado. Além disso, indicam correlações importantes entre o hábito alimentar, morfologia e uso do ambiente por estes animais.
Reference
MEDEIROS, Juliana da Silva. Serpente como presa de serpentes: revisão do hábito ofiófago. 2020.47p. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Animais de Interesse em Saúde: Biologia Animal) – Centro de Formação de Recursos Humanos para o SUS/SP; Instituto Butantan, São Paulo, 2020.
Link to cite this reference
https://repositorio.butantan.gov.br/handle/butantan/3728
Issue Date
2020

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